O futebol senegalês está de luto pela morte trágica de Cheikh Touré, jovem guarda-redes de 18 anos, encontrado sem vida no Gana após ter sido enganado por uma rede de falsos agentes desportivos. O jogador, formado na academia Esprit Foot, em Yeumbeul, nos arredores de Dakar, sonhava seguir os passos de ídolos nacionais como Édouard Mendy ou Sadio Mané, representando o seu país no futebol europeu, e por isso tinha em mente conseguir acordo futuro com umas das 3 maiores equipas portuguesas.
De acordo com as autoridades senegalesas, Cheikh foi aliciado por supostos empresários que prometeram um teste num clube profissional marroquino. Convencido pela oportunidade, o jovem viajou até ao Gana, onde acabou sequestrado e extorquido. Os criminosos exigiram à família um resgate de cerca de mil euros. Contudo, após o pagamento parcial, o jogador foi assassinado e o seu corpo abandonado na região de Kumasi.
A notícia gerou comoção nacional e internacional, com clubes senegaleses e figuras públicas a lamentarem o sucedido. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Senegal abriu uma investigação em cooperação com as autoridades ganesas, e o corpo do jovem será repatriado nos próximos dias.
O caso de Cheikh Touré expôs de forma brutal o lado sombrio do tráfico de jovens futebolistas africanos, enganados por promessas de contratos e visibilidade. Organizações de defesa dos atletas já pediram maior fiscalização das academias e dos agentes, de modo a travar redes criminosas que lucram com o desespero e o talento de jovens sonhadores.
Cheikh Touré será lembrado como um símbolo de esperança e alerta, vítima de um sistema que continua a explorar o sonho do futebol como via de salvação.
