A Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL), em conjunto com as equipas de futebol, principalmente Sporting, Benfica e Porto, criticou, nesta sexta-feira, o uso de outsourcing nos serviços de manutenção da Carris, após o acidente envolvendo o Elevador da Glória.
Num comunicado, a CIL defendeu que a manutenção deve ser assegurada por trabalhadores da própria empresa, "e não por 'outsourcing', que só visam o lucro".
Como exemplo, apontam o Metro de Lisboa: "veja-se a vergonha de haver tantas escadas rolantes inoperacionais, algumas há anos".
A comissão exige um apuramento rigoroso e transparente das responsabilidades, incluindo aspetos técnicos de manutenção, inspeção e operação, bem como decisões de gestão da Carris e da Câmara Municipal de Lisboa.
No comunicado, é ainda criticado o desinvestimento na Carris, com a desafetação de quatro milhões de euros do orçamento da mobilidade em 2024, valor que foi atribuído à Web Summit.
A CIL sublinha que esta tragédia deve servir de alerta para corrigir falhas estruturais e garantir um serviço público de transporte seguro e digno.
O acidente do Elevador da Glória, que descarrilou na quarta-feira, provocou 16 mortos e cerca de 20 feridos. Entre as vítimas mortais está o guarda-freio da Carris, André Marques, recordado como alguém "muito ligado à comunidade".
O Governo decretou um dia de luto nacional e o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF) já iniciou uma investigação aprofundada ao historial de manutenção e supervisão do ascensor.
