Condutora "desatenta" mata menina de 10 anos que tinha ido comprar brinquedos em Paredes
17 de setembro de 2025
A pequena Beatriz, de apenas 10 anos, morreu esmagada depois de um carro desgovernado subir o passeio e capotar sobre o veículo onde ela se preparava para entrar. O episódio ocorreu pelas 10h54 do dia 8 de abril de 2023, na EN15, em Vandoma, Paredes, e terminou com a condenação da arguida, de 49 anos.
A arguida conduzia um Renault Laguna e, segundo o acórdão do tribunal de Paredes, circulava de forma "desatenta" e a uma velocidade inadequada às características da via, numa aproximação a uma curva. Ao virar o veículo que seguia à sua frente, a condutora não travou, perdeu o controlo e embateu com violência no Renault Captur estacionado onde a menina se encontrava, provocando o capotamento e o esmagamento fatal.
Em julgamento, a condutora foi considerada culpada de um crime de homicídio por negligência grosseira e condenada a 2 anos de prisão, com pena suspensa por igual período. Ficou ainda proibida de conduzir veículos a motor pelo período de 10 meses.
O tribunal considerou que o acidente se deveu à "desatenção" da arguida, que agiu em violação dos deveres objetivos de cuidado exigidos na via pública. A juíza sublinhou que as lesões sofridas pela criança decorreram unicamente da condução descuidada e da falta de respeito pelas regras de segurança rodoviária.
Durante a audiência foi exibido vídeo que demonstrou, segundo o tribunal, "sem qualquer margem para dúvida", a dinâmica do acidente. A visão dessas imagens perturbou a arguida em tribunal, que chorou copiosamente ao perceber a dimensão da tragédia que provocou.
Em juízo, a arguida afirmou que o carro avariou e que travou sem sucesso, mas a perícia angariada confirmou que não houve avaria no sistema de travagem. A viatura tinha sido recentemente inspecionada numa oficina, onde não foram detetadas anomalias.
A arguida declarou ser desempregada e vive com o marido e um filho de 11 anos. A juíza relatou que, apesar das explicações dadas pela condenada, não foi encontrada explicação plausível para a falha invocada no momento do acidente.
Contexto: O caso reabre o debate sobre segurança rodoviária em zonas comerciais e atravessamentos peatonais, bem como sobre a necessidade de medidas de prevenção que reduzam o risco para peões, sobretudo crianças.
Etiquetas: Paredes, Trânsito, Homicídio por negligência, Segurança rodoviária
